A Carta Régia da Misericórdia de Beja
A Carta Régia da Misericórdia de Beja, emitida no início do século XVI, é o documento que autorizou oficialmente a criação da Santa Casa na cidade. Nela, o rei – D. Manuel I - definiu a missão da instituição — cumprir as obras de misericórdia e prestar apoio a pobres, doentes e necessitados — bem como a sua organização interna e a forma de gestão dos seus bens e serviços.A carta concedeu ainda importantes privilégios e proteção régia, permitindo à Misericórdia administrar hospitais, acolher peregrinos e desenvolver ações de solidariedade. Este documento histórico marca o início de uma missão que continua a servir a comunidade bejense até hoje.
O Compromisso da Confraria da Misericórdia de Beja
O Compromisso da Confraria da Misericórdia de Beja foi produzido no início do Séc. XVI, no Reinado de D. Manuel I e sob influência direta da rainha D. Leonor, este documento estabelece as regras de funcionamento e a organização interna da instituição. Criado para orientar a vida da confraria, define a estrutura da Mesa, os deveres dos irmãos e a forma como devem ser realizadas as obras de misericórdia.
Mais do que um simples regulamento, o Compromisso traduz o espírito de serviço que orientou a Misericórdia de Beja desde a sua fundação. Nele se encontram as normas que garantem a boa gestão dos bens, a correta aplicação das esmolas e a condução responsável das ações de solidariedade desenvolvidas pela instituição. Ao longo dos séculos, o Compromisso tem sido atualizado para acompanhar as necessidades da comunidade, mantendo sempre o mesmo propósito: assegurar que a Misericórdia de Beja cumpre, com rigor e dedicação, a missão que lhe foi confiada.
Carta Régia e Compromisso: o que os distingue?
A Carta Régia é o documento emitido pelo rei que autorizou oficialmente a criação da Misericórdia de Beja, garantindo-lhe reconhecimento legal e proteção da Coroa. É, por assim dizer, o ato fundador da instituição.
O Compromisso da Confraria é o conjunto de regras internas que orienta o funcionamento da Misericórdia. Nele se definem a organização da Mesa, os deveres dos irmãos, a gestão de bens e a forma de exercer as obras de misericórdia.
Enquanto a Carta Régia cria e legitima a Misericórdia, o Compromisso organiza e regula o seu dia a dia.
O Tombo do Hospital Grande de Nossa Senhora da Piedade
O Tombo do Hospital Grande de Nossa Senhora da Piedade, em Beja, é um dos documentos patrimoniais mais importantes da história da Misericórdia. Este livro foi elaborado com o objetivo de registar de forma rigorosa os bens, propriedades, rendas e direitos do hospital, funcionando como um verdadeiro inventário oficial e garantindo a gestão adequada do património que sustentava a assistência prestada à população.
O tombo descrevia detalhadamente casas, terrenos, vinhas, foros, arrendamentos e outros bens pertencentes ao Hospital Grande, permitindo à Misericórdia acompanhar a administração do património e assegurar que cada recurso era utilizado de acordo com a sua finalidade. Para além do seu valor administrativo, o tombo constitui hoje um testemunho único sobre a organização hospitalar, a economia local e a ação social desenvolvida na cidade ao longo dos séculos.
Este documento preserva a memória institucional da Misericórdia de Beja e continua a ser uma fonte histórica de grande relevância, revelando o papel da instituição na proteção e cuidado dos mais vulneráveis.
O Tombo que hoje podemos consultar é também evidência de acontecimentos marcantes da história da cidade, como o incêndio ocorrido nos Paços do Concelho de Beja, a 23 de julho de 1947. O fogo, que deflagrou cerca das 18 horas, atingiu as águas-furtadas do edifício onde se encontrava o arquivo camarário, mobilizando toda a cidade na tentativa de o controlar. Infelizmente, grande parte do acervo municipal não pôde ser salva.




















